Reserva de emergência: 3 passos para criar e investir

Se você perdesse sua renda hoje por alguma razão — seja demissão ou incapacidade para o trabalho — por quanto conseguiria se sustentar sem perder o padrão atual de vida? Se você ainda não sabe, precisa entender o que é e criar uma reserva de emergência.

Mesmo que você não passe por contingências mais severas, a reserva de emergência pode vir a calhar quando chega uma despesa mais alta e inesperada — como manutenção não-programada do carro ou atendimento veterinário para seu bicho de estimação.

Neste artigo, vamos mostrar como começar a formar essa margem — a que os especialistas chamam “colchão de liquidez” —, qual o valor ideal da reserva e como investir esse dinheiro. Dica: esqueça a poupança.

O que é reserva de emergência

É uma quantia que permite a você se manter por algum tempo sem trabalhar ou quitar despesas extraordinárias sem precisar contratar empréstimos e se enrolar com juros altos. Trata-se do primeiro investimento que você precisa fazer.

Uma pesquisa realizada em 2020 pela ANBIMA, associação que representa empresas atuantes no mercado de capitais, mostrou que 43% dos investidores brasileiros guarda dinheiro com o propósito de formar uma reserva de emergência e, assim, garantir sua própria segurança financeira.

Não é difícil criar uma reserva de emergência, mas é algo que requer disciplina. Abaixo, listamos algumas etapas para ajudar você a começar sua própria reserva de emergência e investir esse dinheiro com segurança.

3 passos para construir uma reserva de emergência

1º passo: levante seu custo mensal

Comece observando de quanto você precisa, mês a mês, para se manter — ou sustentar sua família, caso você seja o arrimo financeiro do lar. Esse é o custo para manter seu padrão de vida atual.

Estime as despesas fixas e variáveis previstas para os próximos seis meses. Após a soma, a conta precisa ser inferior à sua receita mensal — que inclui salário, remuneração de investimentos e aluguéis, bicos e outras entradas.

Em resumo: Ct = Df + Dv < R

Onde: Ct é o custo total; Df são as despesas fixas; Dv refere-se às despesas variáveis e R equivale a receita.

O que são despesas fixas?

São aquelas que chegam invariavelmente todo mês e têm alterações mínimas em seus valores. Algumas delas:

  • aluguel;
  • prestação do imóvel;
  • condomínio;
  • plano de saúde;
  • mensalidade da escola ou universidade;
  • prestação do carro;
  • seguros.

O que são despesas variáveis?

Incluem os custos cujos valores mudam significativamente entre um vencimento e outro ou sequer incorrem todos os meses — geralmente, de forma atrelada ao uso do produto ou serviço. São elas:

  • alimentação fora de casa;
  • combustível;
  • cartão de crédito;
  • cinema;
  • vestuário.

No caso do cartão de crédito, vale lembrar: ele pode ser usado tanto para parcelar compras — formando despesas fixas — quanto para acomodar despesas eventuais.

O ideal é nunca chegar perto do limite e estabelecer uma meta de gastos de até 30% do máximo permitido pela operadora do cartão — deixando o restante do limite para despesas extraordinárias.

2º passo: abra espaço no orçamento para a reserva de emergência

Esta etapa consiste em transformar a contribuição à reserva emergencial em uma despesa fixa. Não dá para guardar as sobras no final do mês, você precisa dedicar uma parte do orçamento mensal à formação do colchão de liquidez.

Você precisa ser proativo ao economizar, não esperar que sobre algum dinheiro no fundo do tacho.

Por isso, a etapa anterior é fundamental. Visualizando as próprias despesas, fica mais fácil saber onde é possível cortar, quanto dá para reduzir e o valor da contribuição à reserva emergencial sem fazer sacrifícios.

Qual deve ser o valor total da minha reserva de emergência?

O montante total da sua reserva precisa ser suficiente para você se sustentar por, pelo menos, 6 meses. Segundo pesquisa da SPC Brasil, o tempo médio que um trabalhador passa desempregado até conseguir uma recolocação no mercado é de 15 meses, mas esse tempo varia bastante de acordo com a carreira.

Além disso, trabalhadores formalizados podem receber seguro-desemprego em casos de demissão sem justa causa e também acessar recursos da sua conta FGTS — que também pode ser considerada uma reserva.

Para estabelecer uma meta para o seu colchão, multiplique seu custo mensal — sendo o menor valor possível o equivalente a um salário mínimo — por 6.

Rem = Ct x 6

Por exemplo, se você ganha R$ 2.000,00 por mês, sua reserva deve ser de R$ 12.000,00.

Quanto destinar para a reserva de emergência?

O ideal é que entre 10% e 20% da sua renda componha a reserva — ao menos até se chegar a um valor que permita certo conforto. O que importa não é tanto o valor, mas a constância das aplicações.

Vm = 10% x R; ou

Vm = 20% x R

Onde Vm é o valor da contribuição mensal e R corresponde ao total das suas receitas mensais.

Pelo exemplo anterior, com um salário de R$ 2.000,00 por mês, se um profissional dedicasse R$ 200,00 por mês para sua reserva, demoraria 60 meses — 5 anos — para chegar ao valor ideal.

No entanto, não é uma regra fixa. Nem todos têm condições de dedicar um décimo do que ganham para formar uma reserva. No entanto, cada depósito, por menor que seja, é significativo quando feito de maneira constante — e pode se provar bastante útil em momentos difíceis.

3º passo: invista

Os brasileiros amam a poupança. É isenta de imposto de renda, a aplicação é facílima, é segura, tem alta liquidez — dá para sacar ou movimentar a qualquer hora — e é bastante divulgada pelos bancos.

Com essas características, ela seria ideal para guardar o dinheiro da reserva de emergência, exceto por um detalhe: na prática, você perde dinheiro.

Os juros remuneratórios sobre o valor aplicado só caem uma vez por mês, na data de aniversário de abertura da caderneta e o valor é tão irrisório que sequer compensa a inflação do mesmo período.

Por isso, não é interessante usar a poupança para guardar seu dinheiro. No entanto, é importante colocar essa reserva em uma aplicação com características semelhantes às da poupança — e alguns benefícios a mais, como:

  • boa liquidez;
  • facilidade na aplicação e retirada;
  • rentabilidade diária;
  • segurança e baixo risco.

Onde aplicar minha reserva financeira?

1. Tesouro Selic

Os títulos do Tesouro Direto — entre eles, o Tesouro Selic — são garantidos pelo próprio Tesouro Nacional. Ao contrário de outras aplicações, ele não conta com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas isso não reduz a segurança do investimento, pelo contrário: a recompra é garantida pelo próprio governo desde o momento da aquisição.

Mesmo que o agente de custódia — banco ou corretora — feche as portas, seu investimento permanece seguro. Os títulos adquiridos ficam registrados com seu CPF no Tesouro Nacional. Basta fazer a portabilidade para outra instituição para continuar operando.

As aplicações podem ser feitas por meio do home broker da sua corretora de valores ou pelo aplicativo do seu banco. Praticamente todas as instituições financeiras isentam o investidor de taxas na compra de títulos públicos. O site do TD disponibiliza com uma lista dos agentes de custódia habilitados e as taxas cobradas.

A rentabilidade do título Tesouro Selic segue a taxa básica de juros somada a uma taxa prefixada. Além disso, a liquidez é diária; isso significa que você pode sacar a qualquer momento sem sofrer perdas financeiras. Os recursos chegam à sua conta no dia útil seguinte à venda.

2. Outros títulos de renda fixa

Títulos como CBD, LCI e LCA, bastante comercializados no mercado de investimentos, também contam com liquidez diária, mas eles têm uma natureza diferente. Os CDBs são títulos de dívida emitidos por instituições bancárias.

LCIs são títulos com lastro no mercado imobiliário e as LCAs são emitidas por instituições financeiras que emprestam dinheiro ao agronegócio.

Os três são cobertos pelo FGC. Investimentos de até R$ 250 mil são cobertos em caso de quebra da instituição que emitiu os títulos.

Antes de comprar, é importante observar se os títulos disponibilizados têm liquidez diária e qual a rentabilidade. Os contratos podem variar bastante. Verifique também a taxa de rendimento: só vale a pena se for acima de 100% da CDI, uma medida que o mercado financeiro usa como padrão.

As LCIs e LCAs é que elas são isentas de imposto de renda, o que pode ser uma boa vantagem para sua reserva de emergência. Já os rendimentos em CDB sofrem tributação regressiva — quanto menor o tempo entre aplicação e resgate, maior a alíquota, que varia entre 22,5% e 15%.

No entanto, é necessário simular os valores. É comum que títulos CDB sejam mais rentáveis mesmo após a incidência do IR.

Certifique-se, antes de usar sua reserva de emergência para comprar esses títulos, que eles ofereçam liquidez diária. Em muitos casos, o resgate só pode ser feito no vencimento, o que não é interessante para quem precisa de disponibilidade imediata dos recursos.

3. Fundos de investimentos

Se você não tem muita paciência para pesquisar títulos e ativos, pode alocar sua reserva de emergência em um fundo de investimentos. Há vários disponíveis no mercado. Um fundo reúne vários papéis em um único ativo, garantindo um investimento diversificado logo de cara, o que traz mais segurança contra perdas.

Os fundos de investimentos são administrados por gestores com experiência no mercado financeiro — o que pode significar uma maior rentabilidade, mas também indica que uma parte da valorização será destinada à remuneração desses profissionais. Há incidência de taxa de administração e, em alguns casos, de uma taxa de performance.

Ao contrário dos CDBs, não há cobertura do FGC para investimentos em fundos, portanto é importante avaliar bem a reputação da casa gestora.

Fundos de renda fixa e fundos DI têm bons perfis para quem procura um bom investimento para reserva de emergência: baixo risco, liquidez e rentabilidade média próxima à CDI.

Mas fique atento: fundos de ações, imobiliários, multimercados, cambiais e outros de renda variável têm um perfil de risco mais alto e podem não ser vantajosos enquanto reserva de emergência.

Ao formar um pé de meia para tempos difíceis, você garante a manutenção do seu padrão de vida mesmo nos cenários mais adversos. Ninguém pode prescindir de uma reserva de emergência. Com esse dinheiro bem aplicado, você fica protegido para que possa focar seus esforços em se reerguer sem contrair dívidas.

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